Por terras lusas, o jantar na véspera de Natal não passa sem bacalhau e, em algumas regiões do país, polvo. Por aqui, a história é bem diferente. O perú é o rei. Mas há mais iguarias que compõem a mesa de Natal. Vamos ver o que já aprendi em relação a este tema.
Entradas
Para iniciar a refeição, os pratos de marisco costumam ser a escolha mais popular. Pode ser um simples Cocktail de Gambas, Gambas Panadas ou até uma Salada de Salmão Fumado. Para os amantes da carne, há uma outra opção: Paté de Fígado de Galinha ou de Ganso.
Os queijos desempenham um papel fundamental na mesa de Natal. É comum serem servidos diferentes queijos (stilton, cheddar e queijos estrangeiros) acompanhados com bolachas salgadas.
Prato Principal
Aqui é quase obrigatório fazer Peru Assado. Normalmente, é recheado, mas há quem faça um simples peru assado, com molho de cidra ou molho de pão (bread sauce), que é feito com pão ralado, cebola, noz moscada e muitas natas.
Quanto aos recheios, a criatividade não impõe limites, mas há alguns ingredientes tipicamente escolhidos para rechear o perú: pão, castanhas, frutos secos, bacon, passas ou arandos, cebolas ou chalotas, salsichas...
Importa referir que cozinhar o perú demora umas boas horas, pelo que normalmente, ele é posto no forno com muita antecedência. Enquanto o perú assa, o pessoal vai bebendo uns cocktails (para aquecer).
Acompanhamentos
E porque comer perú com perú não chega, há uma panóplia de acompanhamentos que normalmente fazem parte da mesa natalícia, É aqui que entram as batatas e os vegetais.
As batatas assadas são obrigatórias. Costumam ser assadas com alho e alecrim e com gordura de pato, gordura de ganso ou banha... Apetitoso, não?
As pastinacas são também muito tradicionais, já que são um legume de inverno muito consumido por cá. São assadas com mel e mostarda ou então com Marmalade (a compota de laranja tipicamente britânica).
As couves de bruxelas não podem faltar. São cozinhadas com bacon, limão ou até frutos secos.
Outros acompanhamentos podem ser preparados, com couve lombarda, couve roxa, cebolas ou cenouras.
Ainda na secção dos acompanhamentos podemos considerar os molhos que são usados para enriquecer o perú assado. Os mais comuns são o molho de pão (Brown Bread Sauce), feito com pão ralado e natas, e o molho de arandos (cranberry sauce), que é feito com arandos, vinho do Porto (aqui o pessoal adora um bom "Port") e laranja. Não podemos esquecer o "Gravy" que é um molho de carne, bastante reduzido, que acompanha sempre as carnes assadas.
Sobremesas
Em Portugal temos o Bolo-rei. Aqui reina o Christmas Pudding. É um bolo muito rico, com figos secos e outros frutos (passas, corintos, amêndoas, casca de laranja cristalizada...), aromatizado com canela, cravinho e noz moscada e macerado com brandy e cerveja. É feito com muita antecedência (pelo menos um mês, mas o ideal é 6 meses) para que os sabores se intensifiquem. Como o bolo leva uma quantidade generosa de álcool, não se estraga por muito tempo. Na altura em que vai ser consumido deve ser aquecido (em banho-maria ou no microondas), sendo acompanhado com Brandy Butter que, basicamente, é manteiga com açúcar e mais um bocadinho de Brandy.
Existem outros doces, como as Mince Pies: pequenas tartes recheadas com fruta seca e cristalizada (que também levam Brandy). Algumas famílias gostam de fazer alguns bolos, semelhantes ao Tronco de Natal e os bolo Floresta Negra.
Para ir corajosamente onde vários tugas já foram antes. O local onde podem acompanhar as nossas aventuras no UK.
Monday, 22 December 2014
Tuesday, 9 December 2014
FERIADOS BRITÂNICOS
Devo dizer que só hoje é que me lembrei de ver quais são os feriados ingleses. Ontem foi feriado em Portugal e lembrei-me que agora tenho de fazer um novo mapa mental referente aos dias de descanso que se fazem por aqui.
Ora aqui vai um resumo dos feriados em 2015. Alguns são iguais aos portugueses, mas outros são bem diferentes. Vejamos:
Ora aqui vai um resumo dos feriados em 2015. Alguns são iguais aos portugueses, mas outros são bem diferentes. Vejamos:
- 1 de Janeiro: New Year Day (Dia de Ano Novo, tal como em Portugal e, penso que, em todo o mundo);
- 3 de Abril: Good Friday (Sexta-feira Santa; este também não é novidade);
- 6 de Abril: Easter Monday (Segunda-feira de Páscoa). Aqui temos uma inovação, já que em Portugal este dia não é feriado. Contudo, aqui o Domingo de Páscoa não é feriado, apesar de ser tradicionalmente celebrado. A Páscoa é uma época rica em comidas tradicionais e, por aqui, ao pequeno-almoço comem-se ovos cozidos (em minha casa sempre se comeram ovos cozidos na Páscoa) e trocam-se os presentes de Páscoa. Ao almoço é típico assar um carneiro com molho de menta e a sobremesa são biscoitos de Páscoa e tartes de "custard". E à hora do chá comem-se bolas de massapão e um bolo "Simnel" (bolo de fruta com massapão).
- 4 de Maio: May Day. Este feriado celebra-se na primeira segunda-feira de Maio e, provavelmente, tem origem num festival romano que honrava o início do verão (Flora). Com o passar do tempo foi-se integrando na cultura celta. Mais recentemente tem sido associado à defesa e celebração dos direitos dos trabalhadores (note-se que aqui o 1º de Maio não é feriado).
- 25 de Maio: Spring Bank Holiday (ou Late May Bank Holiday). É a última segunda-feira de Maio (previamente era na segunda-feira a seguir ao dia de Pentecostes) e basicamente é um dia escolhido para as pessoas ficarem em casa a descansar. Mas há alguns sítios onde este feriado tem fortes tradições, como em Gloucesteshire, em que um bando de pessoas se atira por um monte abaixo atrás de um quejo!
- 31 de Agosto: Summer Bank Holiday. É a última segunda-feira de Agosto e
marca o fim das férias de Verão e a proximidade do Outono. É nesta
altura que se celebra o Carnaval de Notting Hill, em Londres.
- 25 de Dezembro: Natal. Aqui não há novidades.
- 26 de Dezembro: Boxing Day (ou dia das caixas, numa tradução forçada). No dia seguinte ao Natal, os patrões ofereciam presentes aos seus servos e mercadores, conhecidos como "Caixas de Natal". Atualmente é um dia de grandes promoções nas lojas, por isso dá-se uma grande invasão em todos os locais comerciais. Para os amantes do futebol e do rugby este é um dia especial, já que há uma rodada completa de jogos com todas as equipas de todas as divisões.
Monday, 8 December 2014
PROPER ENGLISH BREAKFAST - PART 2
Após a tentativa falhada da semana anterior, decidimos fazer o nosso próprio pequeno almoço inglês.Como não podemos ferir susceptibilidades, decidimos abdicar do uso do porco e fizemos uma pequeno almoço inglês, versão Veggie. Salsichas vegetarianas, ovos, feijões (de lata, é claro), pão e cogumelos foram os ingredientes escolhidos. Como não estamos muito inclinados para ganhar 100 Kg, resolvemos transformar este "pequeno almoço" num almoço. Adicionamos uma salada de pepino e rúcula para tornar a refeição mais saudável e leve. Devo dizer que estas pequenas alterações: a remoção da torrada frita, um chá quente e não fritar todos os componentes do prato tornaram este prato numa refeição bastante agradável.
| Pork Pie |
À noite experimentei mais uma iguaria inglesa: "Pork Pie". Uma bola de carne de porco e gelatina embrulhada em massa quebrada. A experiência também não foi das melhores.A massa escorria gordura e era uma dose bastante considerável de carne. No entanto, ainda tenho algumas iguarias a experimentar:
- "Fish'n'Chips" - parece simples, mas aqui a batatas levam vinagre
- "Black Pudding" - parecido com a nossa morcela
- "Scottish Egg" - um ovo cozido envolvido em carne
- "Yorkshire Pudding" - crosta de massa quebrada que acompanha o molho de carne
- "Haggis" - prato escocês que consiste num estômago de ovelha recheado de entranhas da mesma
| Fish Cake |
Pelo menos o chá preto até é bom e gosto bastante de Earl Grey!
Thursday, 4 December 2014
CHICKEN PERI PERI
Acho que este episódio merece um espacinho aqui no blog.
Ontem fui ao supermercado e, na caixa, o empregado que me
atendeu meteu conversa comigo. Percebeu pelo meu sotaque que eu não era inglesa
(acho que basta olhar para mim para ver que não sou inglesa) e perguntou: De
que país és? Eu respondi: Sou portuguesa. Começou a sorrir e disse com
entusiasmo: Obrigado a todos os portugueses por terem inventado o
Frango com Piripiri (Chicken Peri Peri, como se diz por aqui)! Obrigado a todos
porque é delicioso! Eu fiquei surpreendida e só me ria. E ele continuou: Todas
as noites levo Frango com Piripiri para casa e adoro! A minha mãe também adora.
Os portugueses criaram mesmo uma coisa espetacular. Gosto mesmo daquilo!
E lá continuei a conversa com ele. Ele também não é inglês (é cada vez mais difícil encontrar ingleses por estes lados). É
do Chade e já viveu muitos anos nos EUA. Agora veio para Londres. Já
experimentou comida de todo o mundo, mas aquela que ele mais gosta é bem
portuguesa.
E pronto, percebi que aquilo que nos torna conhecidos pelo mundo fora é o Frango com Piripiri. Acho que temos de agradecer ao Nando!
Tuesday, 2 December 2014
IT'S BEGINNING TO LOOK A LOT LIKE CHRISTMAS
Estamos em Dezembro e por estes lados já se vive uma autêntica atmosfera natalícia. Nesta altura do ano, a cidade de Londres oferece muitas alternativas a quem quer sentir aquele especial espírito natalício.
No passado sábado fizemos um passeio que nos levou ao encontro de pequenas surpresas de Natal.
Apanhamos o Tube (é assim que aqui se chama o metro) e saímos em Tower Hill, a estação mais próxima da Torre de Londres, cujo nome oficial é Her Majesty's Royal Palace and Fortress. Vale bem a pena passear por lá, já que é um local onde o antigo (a Torre de Londres foi construída no século XI) se junta com o ultra-moderno, num cenário que é já uma referência da arquitetura moderna.
Este misto de antigo e moderno até funciona bem. Penso que representa perfeitamente a cidade de Londres, marcada pela tradição, mas também pela inovação.
Descemos a Tower Hill e chegamos à margem norte do rio Thames, numa vista marcada pela Tower Bridge, a famosa ponte móvel. É uma construção da segunda metade do século XIX quando o comércio em Londres sofreu um grande crescimento. Mas, não era possível construir uma ponte fixa, já que era frequente a passagem de barcos com mastros muito altos. E como a necessidade aguça o engenho, lá se construiu esta belíssima ponte, que é um dos mais conhecidos símbolos da cidade.
Atravessar a ponte a pé é também uma experiência interessante, pois permite perceber alguns pormenores da sua construção e admirar a cidade de Londres a partir do rio.
Chegando à margem sul, caminhamos sempre junto ao rio, na tentativa de ir identificando alguns dos pontos icónicos da cidade. Por exemplo, pouco depois da ponte, encontramos o navio HM Belfast, que é um navio museu, pertencente à Royal Navy.
Conseguimos também avistar a estação Charing Cross, uma das estações ferroviárias mais importantes de Londres.
Após uns bons minutos de caminho chegamos à zona conhecida por "The Borough". Aqui encontramos um dos mais agitados mercados de comida de Londres que, nesta altura, já se veste de cores natalícias. De notar que é também um dos mais antigos mercados do mundo, pois está a celebrar 1000 anos de existência. Literalmente, encontramos comida de todo o mundo. Nesta altura, a Escócia é o país em destaque, sendo possível encontrar todo o tipo de iguarias provenientes das "highlands", como o whiskey, as framboesas e os estranhos enchidos feitos com todo o tipo de entranhas. Encontramos também bancas de frutas e legumes, queijos, carnes e peixe. Não esquecer o chá, o café e o chocolate. E, claro, toda uma panóplia de comida pronta a ser consumida na hora, dos mais variados países. Encontramos comida espanhola, grega, croata, turca, etíope, alemã, italiana, indiana, egípcia, francesa, tailandesa.. E, havia uns pastéis de nata, mesmo portugueses, daqueles bem feitos e autênticos.
Depois de algumas compras e um bom passeio pelo mercado, voltamos a seguir o caminho junto ao rio. Era já início da tarde e perspetivava-se uma invasão de turistas.
Em vários pontos podemos encontrar artistas de rua, músicos, dançarinos, comediantes, escultores de areia (sim, fazem esculturas de areia nas margens do rio). Encontramos até uma "big band" de jazz a tocar músicas de Natal nas margens do Thames. Era uma grande animação à volta deles.

No exterior do Tate Modern decorre também um mercado de Natal, com tudo o que é típico por aqui: vinho quente com especiarias (mulled wine), chocolate quente, salsichas alemãs, porco no espeto, bolachas de gengibre, fudge, entre outras tentações culinárias. Encontramos também uma banca de hamburgers exóticos, feitos com carne de búfalo, crocodilo, alce, avestruz, rena (o verdadeiro ícone de Natal, mas entre duas fatias de pão...) e javali. Há gostos para tudo...
Perto do London Eye surge um outro mercado de Natal, o Southbank Centre Christmas Market, onde se repetem as mesmas iguarias acima referidas, cada vez com mais turistas esfomeados a rodear as bancas e os vendedores. Neste ponto, se olharmos para o outro lado do rio, já vemos a zona de Westminster, com o Big Ben e o parlamento (Houses of Parliament) a marcar o cenário.
À medida que a tarde avança torna-se cada vez mais difícil caminhar no meio de tanta gente. É verdadeiramente incrível a quantidade de turistas que visitam Londres. Por isso, decidimos fugir. Com muita dificuldade atravessamos a ponte de Westminster (sábado de tarde é sinónimo de enchente de turistas) e entramos no túnel do metro, já tão cansados de andar, mortinhos por chegar a casa e esticar as pernas.
A nossa sorte é que os mercados de Natal estão por toda a cidade e podemos aproveitar todo o mês de Dezembro para entrar no verdadeiro espírito natalício. É pena que por estes lados não haja bolo-rei. Vou ter de me converter ao mulled wine.
No passado sábado fizemos um passeio que nos levou ao encontro de pequenas surpresas de Natal.
Apanhamos o Tube (é assim que aqui se chama o metro) e saímos em Tower Hill, a estação mais próxima da Torre de Londres, cujo nome oficial é Her Majesty's Royal Palace and Fortress. Vale bem a pena passear por lá, já que é um local onde o antigo (a Torre de Londres foi construída no século XI) se junta com o ultra-moderno, num cenário que é já uma referência da arquitetura moderna.
Este misto de antigo e moderno até funciona bem. Penso que representa perfeitamente a cidade de Londres, marcada pela tradição, mas também pela inovação.
Descemos a Tower Hill e chegamos à margem norte do rio Thames, numa vista marcada pela Tower Bridge, a famosa ponte móvel. É uma construção da segunda metade do século XIX quando o comércio em Londres sofreu um grande crescimento. Mas, não era possível construir uma ponte fixa, já que era frequente a passagem de barcos com mastros muito altos. E como a necessidade aguça o engenho, lá se construiu esta belíssima ponte, que é um dos mais conhecidos símbolos da cidade.
Atravessar a ponte a pé é também uma experiência interessante, pois permite perceber alguns pormenores da sua construção e admirar a cidade de Londres a partir do rio.
Chegando à margem sul, caminhamos sempre junto ao rio, na tentativa de ir identificando alguns dos pontos icónicos da cidade. Por exemplo, pouco depois da ponte, encontramos o navio HM Belfast, que é um navio museu, pertencente à Royal Navy.
Conseguimos também avistar a estação Charing Cross, uma das estações ferroviárias mais importantes de Londres.
Após uns bons minutos de caminho chegamos à zona conhecida por "The Borough". Aqui encontramos um dos mais agitados mercados de comida de Londres que, nesta altura, já se veste de cores natalícias. De notar que é também um dos mais antigos mercados do mundo, pois está a celebrar 1000 anos de existência. Literalmente, encontramos comida de todo o mundo. Nesta altura, a Escócia é o país em destaque, sendo possível encontrar todo o tipo de iguarias provenientes das "highlands", como o whiskey, as framboesas e os estranhos enchidos feitos com todo o tipo de entranhas. Encontramos também bancas de frutas e legumes, queijos, carnes e peixe. Não esquecer o chá, o café e o chocolate. E, claro, toda uma panóplia de comida pronta a ser consumida na hora, dos mais variados países. Encontramos comida espanhola, grega, croata, turca, etíope, alemã, italiana, indiana, egípcia, francesa, tailandesa.. E, havia uns pastéis de nata, mesmo portugueses, daqueles bem feitos e autênticos.
Depois de algumas compras e um bom passeio pelo mercado, voltamos a seguir o caminho junto ao rio. Era já início da tarde e perspetivava-se uma invasão de turistas.
Em vários pontos podemos encontrar artistas de rua, músicos, dançarinos, comediantes, escultores de areia (sim, fazem esculturas de areia nas margens do rio). Encontramos até uma "big band" de jazz a tocar músicas de Natal nas margens do Thames. Era uma grande animação à volta deles.

No exterior do Tate Modern decorre também um mercado de Natal, com tudo o que é típico por aqui: vinho quente com especiarias (mulled wine), chocolate quente, salsichas alemãs, porco no espeto, bolachas de gengibre, fudge, entre outras tentações culinárias. Encontramos também uma banca de hamburgers exóticos, feitos com carne de búfalo, crocodilo, alce, avestruz, rena (o verdadeiro ícone de Natal, mas entre duas fatias de pão...) e javali. Há gostos para tudo...
Perto do London Eye surge um outro mercado de Natal, o Southbank Centre Christmas Market, onde se repetem as mesmas iguarias acima referidas, cada vez com mais turistas esfomeados a rodear as bancas e os vendedores. Neste ponto, se olharmos para o outro lado do rio, já vemos a zona de Westminster, com o Big Ben e o parlamento (Houses of Parliament) a marcar o cenário.
À medida que a tarde avança torna-se cada vez mais difícil caminhar no meio de tanta gente. É verdadeiramente incrível a quantidade de turistas que visitam Londres. Por isso, decidimos fugir. Com muita dificuldade atravessamos a ponte de Westminster (sábado de tarde é sinónimo de enchente de turistas) e entramos no túnel do metro, já tão cansados de andar, mortinhos por chegar a casa e esticar as pernas.
A nossa sorte é que os mercados de Natal estão por toda a cidade e podemos aproveitar todo o mês de Dezembro para entrar no verdadeiro espírito natalício. É pena que por estes lados não haja bolo-rei. Vou ter de me converter ao mulled wine.
Sunday, 30 November 2014
PROPER ENGLISH BREAKFAST
![]() |
| Versão Veggie |
Para nos integrarmos no nosso novo meio temos de nos esforçar por absorver alguns dos hábitos locais. Um dos quais é o substancial pequeno almoço britânico. Apesar de já o termos experimentado várias vezes em hotéis por essa Europa fora, nunca comemos num local tradicional. Foi com isso em mente que neste sábado de manhã acordámos bem cedinho. Pusemos os pés ao caminho e dirigimo-nos a um dos vários botecos de pequeno almoço que existem aqui perto.
O menu inclui várias opções e combinações em torno do mesmo tema: gordura frita.
![]() |
| Versão Carnívora |
Outra coisa que achei interessante é o facto de que pedir um café para acompanhar o pequeno almoço também tem os seus senãos. Infelizmente assumem que ninguém é capaz de beber um café simples e juntam sempre leite. Ou seja, bacon com ovo, salsicha com pão frito e meia-de-leite para acompanhar. Delicioso!
Devo admitir que a versão veggie, com tomate e cogumelos grelhados, feijão com molho de tomate, hambúrguer veggie, ovo e pão frito pareceu-me relativamente mais apetitosa.
De qualquer maneira não vamos desistir facilmente e vamos voltar a experimentar este tipo de pequeno almoço. Talvez num sítio onde sirvam pão torrado em vez de frito, para ser um pouco mais leve.
Thursday, 27 November 2014
EATING BRITISH
Ainda nem um mês passou desde que aqui estamos, mas já reparamos que há determinadas
coisas que fazem parte do quotidiano português que aqui não se encontram
de jeito nenhum.
Vamos lá ver alguns exemplos.
De manhã, gostamos de comer um pãozinho fresco com queijo flamengo ou, quem sabe, limiano. Primeiro problema, pão fresco, algo bem difícil de encontrar. As padarias tradicionais foram aniquiladas pelas grandes superfícies comerciais. Por isso, o único "pão fresco" que se encontra é nos supermercados e sabe sempre a pão de ontem. Com excepção do Lidl e do Morrisons que vendem pão de melhor qualidade. Segunda parte do problema: aqui não há queijo flamengo e, muito menos, queijo limiano. Por isso, ao meu pão de forma (sim, agora como pão de forma...) junto queijo cheddar. Very british indeed. Até gosto de cheddar, mas de vez em quando apetece um queijo mais português. Paciência.
Nos lanches que fazemos ao longo do dia, as bolachas são uma escolha muito popular. E já sabemos que quando se fala em bolachas, português que é português, pensa logo em bolacha maria. Pois bem, isso aqui não existe. Aqui comem-se bolachas de gengibre, de aveia e de manteiga (shortbread). As minhas preferidas são as de gengibre. São perfeitas com um chá.
E por falar em chá... Todos sabemos que um dos rituais mais portugueses que há é beber um café depois do almoço. Aquele café expresso, forte, aromático, bem tirado. Claro está, bem difícil de encontrar por aqui. E, quando se encontra, perde-se logo a vontade, pois tem um preço exorbitante (normalmente, um expresso custa £1,30) e sabe a terra queimada. Posso afirmar que já aderi fortemente ao chá. Depois do almoço, nada como um chá Earl Grey, com um pouquinho de leite (de soja, claro está). Comecei a juntar leite ao chá depois de ter sido ferozmente pressionada por habitantes locais a experimentar, já que me diziam que beber chá simples não tem jeito nenhum. E, como de chá percebem os ingleses, eu dei o braço a torcer.
No que toca à gastronomia portuguesa, o arroz carolino é um ingrediente essencial, presente em alguns dos pratos mais típicos. Como devem imaginar, aqui não existe arroz carolino. Há arroz agulha, arbório, basmati, thai e sei lá que mais. Mas carolino nem vê-lo. Agora já não posso fazer um arroz de feijão autêntico.
Não posso esquecer o vinagre. Sim, aqui há
vinagre. Mas não o vinagre de vinho tinto ou vinho branco que os
portugueses tanto adoram. Aqui, o eleito é o vinagre de malte. Presente
em todas as lojas, já que é usado em larga escala. Mas não pensem que os
ingleses comem muita salada e precisam de muito vinagre para a
temperar. Não! É mesmo para juntar às suas queridas "crisps", a base da
alimentação britânica. E, pelo que sei, também vai muito bem com o "fish and chips". Ainda não experimentei o vinagre de malte
(suspeito que possa ter um sabor algo semelhante à Marmite). Para já, a
salada tem sido temperada com sumo de limão.
Acho que voltaremos a este tema mais vezes. Afinal, ainda há um vasto mundo de hábitos alimentares britânicos a descobrir.
Vamos lá ver alguns exemplos.
De manhã, gostamos de comer um pãozinho fresco com queijo flamengo ou, quem sabe, limiano. Primeiro problema, pão fresco, algo bem difícil de encontrar. As padarias tradicionais foram aniquiladas pelas grandes superfícies comerciais. Por isso, o único "pão fresco" que se encontra é nos supermercados e sabe sempre a pão de ontem. Com excepção do Lidl e do Morrisons que vendem pão de melhor qualidade. Segunda parte do problema: aqui não há queijo flamengo e, muito menos, queijo limiano. Por isso, ao meu pão de forma (sim, agora como pão de forma...) junto queijo cheddar. Very british indeed. Até gosto de cheddar, mas de vez em quando apetece um queijo mais português. Paciência.
Nos lanches que fazemos ao longo do dia, as bolachas são uma escolha muito popular. E já sabemos que quando se fala em bolachas, português que é português, pensa logo em bolacha maria. Pois bem, isso aqui não existe. Aqui comem-se bolachas de gengibre, de aveia e de manteiga (shortbread). As minhas preferidas são as de gengibre. São perfeitas com um chá.
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E por falar em chá... Todos sabemos que um dos rituais mais portugueses que há é beber um café depois do almoço. Aquele café expresso, forte, aromático, bem tirado. Claro está, bem difícil de encontrar por aqui. E, quando se encontra, perde-se logo a vontade, pois tem um preço exorbitante (normalmente, um expresso custa £1,30) e sabe a terra queimada. Posso afirmar que já aderi fortemente ao chá. Depois do almoço, nada como um chá Earl Grey, com um pouquinho de leite (de soja, claro está). Comecei a juntar leite ao chá depois de ter sido ferozmente pressionada por habitantes locais a experimentar, já que me diziam que beber chá simples não tem jeito nenhum. E, como de chá percebem os ingleses, eu dei o braço a torcer.
No que toca à gastronomia portuguesa, o arroz carolino é um ingrediente essencial, presente em alguns dos pratos mais típicos. Como devem imaginar, aqui não existe arroz carolino. Há arroz agulha, arbório, basmati, thai e sei lá que mais. Mas carolino nem vê-lo. Agora já não posso fazer um arroz de feijão autêntico.
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Acho que voltaremos a este tema mais vezes. Afinal, ainda há um vasto mundo de hábitos alimentares britânicos a descobrir.
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