Sunday, 30 November 2014

PROPER ENGLISH BREAKFAST

Versão Veggie

Para nos integrarmos no nosso novo meio temos de nos esforçar por absorver alguns dos hábitos locais. Um dos quais é o substancial pequeno almoço britânico. Apesar de já o termos experimentado várias  vezes em hotéis por essa Europa fora, nunca comemos num local tradicional. Foi com isso em mente que neste sábado de manhã acordámos bem cedinho. Pusemos os pés ao caminho e dirigimo-nos a um dos vários botecos de pequeno almoço que existem aqui perto.

O menu inclui várias opções e combinações em torno do mesmo tema: gordura frita.
Versão Carnívora
Temos o tradicional bacon, ovo, salsichas e feijão. No entanto, havia um novo elemento do qual nunca tinha ouvido falar e para o qual não estava preparado: uma simples fatia de pão de forma... frita! Quem é que no seu perfeito juízo prefere uma simples fatia de pão torrado quando pode ter uma frita e a pingar óleo? Admito que o meu palato ainda não está preparado para lidar com esta iguaria local. Bacon e salsichas ainda vão, agora uma fatia de pão encharcada em óleo é demasiado. Pelo menos o objectivo foi cumprido, não precisei (consegui) comer mais nada durante o resto da manhã.

Outra coisa que achei interessante é o facto de que pedir um café para acompanhar o pequeno almoço também tem os seus senãos. Infelizmente assumem que ninguém é capaz de beber um café simples e juntam sempre leite. Ou seja, bacon com ovo, salsicha com pão frito e meia-de-leite para acompanhar. Delicioso!

Devo admitir que a versão veggie, com tomate e cogumelos grelhados, feijão com molho de tomate, hambúrguer veggie, ovo e pão frito pareceu-me relativamente mais apetitosa.

De qualquer maneira não vamos desistir facilmente e vamos voltar a experimentar este tipo de pequeno almoço. Talvez num sítio onde sirvam pão torrado em vez de frito, para ser um pouco mais leve.


Thursday, 27 November 2014

EATING BRITISH

Ainda nem um mês passou desde que aqui estamos, mas já reparamos que há determinadas coisas que fazem parte do quotidiano português que aqui não se encontram de jeito nenhum.

Vamos lá ver alguns exemplos.

De manhã, gostamos de comer um pãozinho fresco com queijo flamengo ou, quem sabe, limiano. Primeiro problema, pão fresco, algo bem difícil de encontrar. As padarias tradicionais foram aniquiladas pelas grandes superfícies comerciais. Por isso, o único "pão fresco" que se encontra é nos supermercados e sabe sempre a pão de ontem. Com excepção do Lidl e do Morrisons que vendem pão de melhor qualidade. Segunda parte do problema: aqui não há queijo flamengo e, muito menos, queijo limiano. Por isso, ao meu pão de forma (sim, agora como pão de forma...) junto queijo cheddar. Very british indeed. Até gosto de cheddar, mas de vez em quando apetece um queijo mais português. Paciência.

Nos lanches que fazemos ao longo do dia, as bolachas são uma escolha muito popular. E já sabemos que quando se fala em bolachas, português que é português, pensa logo em bolacha maria. Pois bem, isso aqui não existe. Aqui comem-se bolachas de gengibre, de aveia e de manteiga (shortbread). As minhas preferidas são as de gengibre. São perfeitas com um chá.
www.tesco.com


E por falar em chá... Todos sabemos que um dos rituais mais portugueses que há é beber um café depois do almoço. Aquele café expresso, forte, aromático, bem tirado. Claro está, bem difícil de encontrar por aqui. E, quando se encontra, perde-se logo a vontade, pois tem um preço exorbitante (normalmente, um expresso custa £1,30) e sabe a terra queimada. Posso afirmar que já aderi fortemente ao chá. Depois do almoço, nada como um chá Earl Grey, com um pouquinho de leite (de soja, claro está). Comecei a juntar leite ao chá depois de ter sido ferozmente pressionada por habitantes locais a experimentar, já que me diziam que beber chá simples não tem jeito nenhum. E, como de chá percebem os ingleses, eu dei o braço a torcer.

No que toca à gastronomia portuguesa, o arroz carolino é um ingrediente essencial, presente em alguns dos pratos mais típicos. Como devem imaginar, aqui não existe arroz carolino. Há arroz agulha, arbório, basmati, thai e sei lá que mais. Mas carolino nem vê-lo. Agora já não posso fazer um arroz de feijão autêntico.

www.tesco.com
Não posso esquecer o vinagre. Sim, aqui há vinagre. Mas não o vinagre de vinho tinto ou vinho branco que os portugueses tanto adoram. Aqui, o eleito é o vinagre de malte. Presente em todas as lojas, já que é usado em larga escala. Mas não pensem que os ingleses comem muita salada e precisam de muito vinagre para a temperar. Não! É mesmo para juntar às suas queridas "crisps", a base da alimentação britânica. E, pelo que sei, também vai muito bem com o "fish and chips". Ainda não experimentei o vinagre de malte (suspeito que possa ter um sabor algo semelhante à Marmite). Para já, a salada tem sido temperada com sumo de limão.


Acho que voltaremos a este tema mais vezes. Afinal, ainda há um vasto mundo de hábitos alimentares britânicos a descobrir. 



Monday, 24 November 2014

AFINAL ELES EXISTEM!

Comecemos este post com uma curta referência ao tempo que por aqui faz. Estamos no Outono e, de acordo com os habitantes locais, este ano o tempo até está a ser bem simpático. A temperatura está agradável e bastante convidativa à prática desportiva ao ar livre. Por exemplo, hoje tivemos uma fabulosa temperatura máxima de 7ºC. Na altura em que escrevo esta publicação estão uns calorosos 3ºC, o que só me faz pensar em sair para rua e disfrutar o maravilhoso clima deste país.

Apesar deste tempo tão agreste tenho continuado a correr. E, quase três semanas depois da minha chegada a esta ilha de clima temperado, eis que encontro um clube de corredores (runners, se preferirem) amadores: os "Hayes and Harlington Road Runners". Nome engraçado, não acham? Comecei logo a imaginar um grupo de pessoas a correr loucamente pelas estradas enquanto faziam "beep beep"!

Estava a explorar o site do London Borough of Hillingdon (este é o nome do concelho onde vivemos) até que encontrei um link para os Hayes and Harlington Road Runners. Ao ler a informação percebi que era um clube amador, perto de West Drayton. Então, mandei logo um email a pedir informações. No mesmo dia, responderam-me a explicar que costumam reunir-se às quartas à noite para correr em conjunto. E convidaram-me para aparecer, na quarta-feira seguinte, às 8 pm. Sim, isso mesmo. Correm à noite...

Ainda pensei: ir correr às 8 da noite pela rua fora??? Mas decidi ir na mesma. Não há nada como experimentar.

Fui ter ao centro comunitário de Hayes, sede do clube. Quando lá cheguei, convidaram-me de imediato para entrar numa espécie de pub que têm dentro do centro. Na verdade é mais do que uma espécie de pub. É mesmo um pub totalmente "equipado"! Fui bem recebida, as pessoas foram-se apresentando. E conheci a Annette, a responsável pelo clube, que me explicou o modo de funcionamento.

Constantemente ouvia alguém dizer: hoje o tempo está mesmo bom. É o tempo ideal para correr. E depois alguém disse: sim, porque correr no verão com 20º C é mesmo complicado! Até que eu disse: vocês não sabem o que é bom tempo! Mas ninguém concordou comigo...

Então lá fomos para a rua. Eles de calções e manga curta e eu com várias camadas de roupa... Meias até ao joelho, leggings, uma t-shirt, um corta-vento... E carapuço para não entrar frio para os ouvidos!
Explicaram-me que tinham vários grupos de treino, de acordo com a velocidade a que cada pessoa conseguia correr. Os principiantes faziam 5km, um outro grupo fazia 8km, outro fazia 10km e ainda outro fazia 11,5km. Mas demorei um bocado a perceber com que grupo ia, pois estavam a explicar-me tudo em milhas... Tive de pedir para traduzirem para kms. E então decidi ficar com um grupo de mulheres que iam fazer 10km.

Aqui estão alguns dos meus novos colegas. De calções e muito bronzeados! Não tarda nada, estou assim branquinha como eles.
http://www.hhroadrunners.com/










Apesar do escuro e do frio, a corrida foi muito agradável. O percurso que fazem é muito seguro, não há risco de atropelamento. E deu para ir a correr e a conversar, para conhecer as pessoas e perceber o modo de funcionamento do grupo. Para além dos encontros às quartas-feiras vou começar a participar nas "Park Runs", que são corridas de 5km que se fazem aos sábados de manhã pelos parques de Londres. Acho que vai ser giro!

No final da corrida, fazem uns alongamentos, conversam um pouco. E, de seguida, toca a ir para o pub beber umas cervejas! Sim, é isso mesmo. Afinal, estamos em Inglaterra. Acho que vou ter de me habituar a isto! Beep Beep!




Sunday, 23 November 2014

SOUTH KENSINGTON

Um dos museus que ainda não tínhamos visitado era o Victoria & Albert Museum. Por isso decidimos aproveitar o sábado de manhã para ir visitar uma mas zonas turísticas mais concorridas em Londres: South Kensington. E a que se deve a preferência dos turistas por esta zona? Na mesma rua encontramos o famoso Museu de História Natural, O Museu da Ciência e o já mencionado Victoria & Albert, três museus com entrada gratuita (mas nos quais é sugerido fazer um donativo). O plano era visitar o V&A primeiro, passear pelo Hyde Park durante o almoço e tentar visitar um os outros museus da zona de tarde (o de Ciências era a minha primeira escolha).
E assim foi, acordamos cedinho, tomamos um pequeno almoço reforçado e fomos para a estação de comboio. Saímos em Ealing Broadway e entramos logo no metro da District Line. Algumas estações depois (13!) finalmente chegámos a South Kensington. A estação está muito bem sinalizada e tem ligações quase directas a cada uns museus.
O V&A é conhecido pela sua colecção de objectos ligados às artes decorativas e design. Tem uma vasta colecção de esculturas e bustos, cerâmicas, roupas e outros objectos do quotidiano vindos das várias partes do mundo com que os ingleses contactaram/administraram/invadiram. É possível encontrar estatuetas hindus, cerâmica árabe, armaduras de samurai, armários chineses, etc. Existe ainda uma colecção de objectos de ferro, principalmente pequenos portões de ferro retorcido, uma outra de vitrais e outra de réplicas de gesso de uma panóplia de túmulos. Existem também exemplares de roupas dos séculos XVII e até ao século XX que nos levam a pensar que as pessoas destes tempos tinham pés muito pequenos e estreitos e que as mulheres deviam sofrer imenso para manter cinturas extremamente estreitas.
Chocolate quente
É ainda possível ver algumas peças mais recentes dos anos 70, 80 e 90 de estilistas famosos como Christian Dior.

O museu tem também um pátio central com um pequeno café ao ar livre onde se encontram uma série de diferentes bolos, muffins e scones combinados com b
ebidas quentes. Uma combinação perfeita para os mais gulosos (ou gulosas).

Esquilos no Hyde Park
Terminada a visita ao museu seguiu-se então o passeio pelo Hyde Park, que fica a apenas uns 300 metros dos museus. O parque é enorme, tem cerca de 1,42 km2 ao qual se juntam mais 1,11 km2 dos Kensington Gardens. É um dos maiores parques de Londres e aparentemente é bastante utilizado pelos Londrinos quer seja para correr, para jogar futebol, andar de bicicleta ou até mesmo passear os cães. E depois temos os esquilos, pequenas bolas de pêlo que se dedicam a roer bolotas. Os mais destemidos tentam mesmo pedir ou surripiar guloseimas aos  frequentadores mais distraídos.
Ringue de Gelo ao lado do
 Museu de História Natural
Após o almoço regressamos à zona dos museus mas acabámos por não visitar mais nenhum dado que as filas estavam enormes. Se quiserem visitar museus ao sábado, têm de ir cedo, caso contrário arriscam-se a encontrar um mar de "bloody tourists". Plano alternativo: uma volta a pé  e conhecer as milhentas boulangeries e restaurantes franceses do French Quarter (South Kensington é a zona francesa de Londres, à semelhança do Little Portugal de Vauxhall). É também aos sábados de manhã que se realiza um Farmer's Market recheado de iguarias francesas e biológicas.







Wednesday, 19 November 2014

WESTMINSTER E OS TURISTAS

A ida a uma entrevista no centro de Londres pode ser uma excelente desculpa para dar um passeio pela zona mais turística da cidade. Nada como aproveitar a facilidade dos transportes londrinos para chegar rapidamente ao ex-libris da cidade: a zona de Westminster.
Subindo as escadarias do metro, mal chegamos à rua, o Big Ben surge, imponente. E somos de imediato engolidos por uma multidão, gente de todo o mundo, que fala as mais diversas línguas. Devo dizer que o português que se fala do outro lado do Atlântico é das línguas mais ouvidas quando nos deparamos com magotes de turistas. E um sem número de pessoas olha na mesma direção, tentando fotografar o Big Ben, já iluminado no final da tarde. Cada um faz a sua melhor pose, para ter aquela foto especial numa das mais famosas "landmarks" do mundo.
Mas, passado algum tempo a fixar o olhar no Big Ben, as pessoas apercebem-se que do outro lado do rio está o "London Eye". Então, há um novo magote de pessoas a fotografar e a fazer poses. E no meio de tantos turistas, lá andam os desgraçados dos londrinos que ao sair do trabalho se deparam com uma difícil prova de obstáculos. Não é nada fácil caminhar no meio de tantos turistas, uns armados em fotógrafos, outros armados em modelos.
 
Atravessando a ponte de Westminster, chegamos à margem sul do Thames, "Southbank", como é chamada por aqui. É deste lado do rio que se conseguem as melhores fotografias do Big Ben e do parlamento (não é o caso destas fotos, já que foram tiradas com o meu humilde telemóvel...). E, novamente, uma enchente de turistas fotógrafos. Uns bons milhões de fotografias devem tiradas por dia em Westminster.
É na margem sul do rio que se tem acesso ao "London Eye", onde se poderá ter a melhor vista panorâmica da cidade. Também se encontram alguns museus, como o Tate Britain e o Tate Modern. E, para os mais endinheirados, estão disponíveis os melhores hotéis da cidade, alguns dos quais com uma arquitetura impressionante.

E observando o trânsito compreendemos o carácter cosmopolita desta cidade. Autocarros, táxis, automóveis, bicicletas e até trotinetes, circulam em harmonia, num corropio veloz, como se todos estivessem sempre atrasados. Ou então, como britânicos que são, correm para que sejam pontuais nos seus compromissos.

Vale bem a pena caminhar (ou correr) ao longo da margem do rio, onde encontramos algumas curiosidades, como o memorial às vítimas da BSE. Há muitos memoriais por toda a cidade, o que demonstra que há uma necessidade de prestar homenagem às pessoas que foram vítimas de algum tipo de infortúnio. Uma boa atitude, penso eu. Para que não sejam esquecidas.

Entretanto, sexta-feira há um novo compromisso que me leverá a Camden Town. Mais uma vez, uma excelente oportunidade para vestir a minha roupa de turista.


Saturday, 15 November 2014

BONFIRE NIGHT

No dia 5 de Novembro (o nosso segundo dia por estas terras) celebrou-se a Bonfire Night. Já ouviram falar? Eu já tinha ouvido falar, mas não sabia exatamente o que era. Pois aqui vai a minha humilde explicação: algures no séc. XVIII, um soldado católico, de nome Guy Fawkes, tentou matar o Rei James I (que era protestante) e explodir o parlamento inglês, no malogrado dia 5 de Novembro. Contudo, o plano foi descoberto atempadamente pelos apoiantes do Rei. Então, Guy e os seus comparsas foram torturados na Torre de Londres e, em seguida, devidamente executados (acho que desta vez foi na forca e não no famoso cepo).
Desde então, os ingleses celebram a morte deste traidor e a sobrevivência do Rei, na já referia Bonfire Night. E em que é que consiste esta celebração? Lançamento de foguetes, fogo de artifício, fogueiras, tudo o que meta chamas e estouros.

Para além das celebrações nos mais belos pontos turísticos da cidade de Londres (e por todo o país), cada família adquire o seu próprio arsenal explosivo, para que possa ativamente participar nos festejos. Os supermercados vendem todo o tipo de foguetes e fazem promoções, permitindo às pessoas comprar um pouco de tudo. Algumas superfícies comerciais até oferecem um foguete aos clientes que fizerem determinado montante de compras.

E, então, na noite de 5 de Novembro, ouvimos uma boa dose de foguetes e pensamos: ah, hoje é a Bonfire Night.

Contudo, na noite 6 de Novembro, continuamos a ouvir foguetes. E na noite de 7, de 8, de 9. And so on and so on. Hoje é 15 de Novembro e aqui os vizinhos continuam a estourar foguetes... Acho que há por aqui alguma tendência piromaníaca. Deve ser algo do género: o pessoal convida uns amigos para beber umas cervejas, conversam um pouco e tal e tal. Ficam no jardim a conviver um pouco. As horas passam e as coisas começam a ficar maçadoras. Até que alguém diz: e se fóssemos rebentar uns foguetes? E passam a noite nisso. E acho que durante todo o mês de Novembro há um bom motivo para lançar fogo de artifício.

Ainda somos novos por estas paragens e pouco conhecemos as tradições. Esta é a nossa interpretação da Bonfire Night, que poderá realmente estar desfasada da realidade... Mas que este pessoal gosta de explodir coisas, gosta!

Wednesday, 12 November 2014

VAI UMA CORRIDA?

Após a agitação dos primeiros dias, as coisas finalmente já estão a normalizar. Estamos a criar a nossa rotina e a sentir-nos mais adaptados de dia para dia.
E, no meu caso, o processo de adaptação não ficaria completo sem as minhas corridas. E aqui as regras terão de ser diferentes. Afinal, estou bem longe do suposto clima temperado de Portugal.

A primeira adaptação tem a ver com o equipamento. Aqui não posso correr de calções nem usar roupa ligeira. Por estes dias, a temperatura máxima que aqui temos corresponde à temperatura mínima do Porto. Ou seja, isto aqui é frio! Agora corro com leggings, bem quentinhos. E em vez de usar apenas uma t-shirt, preciso também de uma camisola de manga comprida ou de um corta-vento. Por vezes, impermeável com capuz. E vai chegar a altura em que o frio vai ser tanto (afinal, ainda não chegou o Inverno...) que vou precisar de gorro e luvas.

A segunda adaptação tem a ver com o horário em que vou correr. Em Portugal, costumava correr ao final da tarde. Aqui, não pode ser. Primeiro porque anoitece muito cedo e fica mesmo escuro. Às 16h30 já é noite e já está toda a gente a pensar em ir para casa. Depois porque eu ainda revelo algumas dificuldades no complexo processo de atravessar a rua (olho quase sempre para o lado errado; qualquer dia o meu cérebro há-de habituar-se). E isso combinado com o escuro iria certamente resultar em atropelamento. Então, o melhor é correr pela fresquinha, expressão que aqui faz todo o sentido, já que não há nada como sair à rua de manhã o sentir um ar tão fresquinho que nos congela de imediato.

Então, como sinto tanto frio tenho tendência a começar logo a correr em alta velocidade, o que depois se revela um erro, pois os músculos estão tão contraídos com o frio que não querem, nem conseguem mexer-se. Então, a terceira adaptação terá de ser: fazer um aquecimento inicial mais cuidadoso, ainda dentro de casa. O corpo ressente-se com o frio e sinto mais dores articulares e as minhas queridas contraturas tendem a piorar. Por isso, por estes lados é ainda mais importante investir no aquecimento e, no final da corrida, numa boa série de alongamentos.

Por aqui existem muitos parques, mesmo muitos. Mas ainda não experimentei correr em parques. Correr na rua é bastante fácil. Os passeios são largos, os automobilistas não me tentam atropelar (como faziam em Portugal) e as ruas são relativamente planas e asfaltadas. Não há o perigo de correr em ruas de paralelos (ou empedrado), como acontecia em São Pedro de Avioso, essa bela localidade. 
De referir que, como aqui chove muito, a relva dos parques está sempre molhada e um pouco lamacenta. O piso fica mole. Ainda terei de me habituar a correr assim. E alguns parques são enormes. Tenho de os explorar para encontrar os melhores percursos. Mas tudo a seu tempo. 

Para já, ainda não encontrei muitos corredores por aqui. Acho que o frio anda a assustar muita gente. Vou passando por um ou dois. Mas vou estar alerta.

Quanto à chuva, até ao momento, não me impediu de correr. Por cá chove com muita frequência, sim. Mas é chuva fraca. Não é como em Portugal que, quando chove, é quase sempre um dilúvio. Por isso, acho que a chuva não será grande barreira. Ainda verei como será quando chegar a neve. Acho que vou ter de correr com uma mantinha pelas costas.

A ver vamos se dá para fazer umas maratonas por aqui. 







Monday, 10 November 2014

É AQUI O CONSULADO DE PORTUGAL?

Uma das coisas que os portugueses residentes no estrangeiro devem fazer é inscrever-se no respectivo consulado ou embaixada. Em Londres existe um consulado, perto de Oxford Circus, numa zona bem chique da cidade e onde se encontram a maioria dos consulados/embaixadas. Como cidadãos cumpridores dirigimo-nos então a esse consulado, local onde podemos entrar e saudar as pessoas com um "Olá" sem que olhem de lado para nós.
Após termos informado a recepcionista do motivo pelo qual nos tínhamos dirigido a tão nobre edifício, esta encaminhou-nos para a sala de espera. Foi neste momento, que começamos a questionar se estaríamos de facto no sitio certo. Na sala de espera estavam cerca de 15 pessoas, das quais 5 seriam de terras lusitanas e os restantes não falavam português, tendo provavelmente nascido no extremo Oriente. Sempre que o funcionário chamava alguém para atendimento, a língua que se ouvia não era o Português mas sim o Inglês. Após longos minutos de espera lá fomos atendidos e conseguimos esclarecer as nossas dúvidas. Como não poderia deixar de ser, vamos ter de esperar cerca de 4 a 6 semanas até conseguirmos uma vaga para sermos devidamente atendidos e procedermos à inscrição consular (que nos permitirá votar nas eleições legislativas).

De seguida, tentamos encontrar a representação em Londres do nosso banco português. Como já eram 16h estávamos com algumas dúvidas se estaria ou não aberto. Felizmente, estava aberto até às 18h. Fomos atendidos por um funcionário muito simpático que nos esclareceu todas as questões acerca de levantamentos, pagamentos e transferências internacionais. O problema, neste caso, é a conversão entre Euros e Libras. Alguns bancos cobram taxas exorbitantes pela conversão de moeda, por exemplo, até 10 cêntimos de Euro por cada Libra. Para além disso existem agora serviços que facilitam a transferência de dinheiro para Portugal, sem que sejam cobradas taxas pelos bancos ingleses.

Por coincidência, enquanto estávamos a trocar impressões acerca da vida em Londres, surgiu o tópico do consulado. Sem nenhuma menção de nossa parte, o funcionário do banco diz: "Quando fui lá inscrever-me pensei que me tinha enganado no consulado. Não estava lá ninguém que me parecesse ser português."

Qual a explicação para este facto? Simples. Aparentemente, pessoas nascidas em Goa (ou outras ex-colónias portuguesas, mas é mais comum em Goa) com ascendentes portugueses até à terceira geração (quase do tempo do Vasco da Gama), têm direito a nacionalidade Portuguesa. Ora isto está a criar um problema às autoridades inglesas, uma vez que pessoas que nunca tenham residido em Portugal (e que à partida não podem ser considerados cidadãos europeus) e não falem português podem beneficiar de livre circulação na União Europeia e têm direito a trabalhar e residir no Reino Unido e ainda usufruir de todo o sistema de apoio social. Esta situação só ficou aparente aquando da entrevista para a obtenção de um "National Insurance Number" (equivalente aos nossos números de contribuinte e segurança social) em que se alertava os funcionários para questionarem Portugueses com origem Goesa acerca dos seus conhecimentos sobre Portugal e se já tinham residido no País. O titulo do memorando interno era "Potential identity fraud".

Estas situações levam-nos a refletir acerca das questões da emigração e até onde as pessoas estão dispostas a ir para conseguirem um futuro melhor para si e para os seus filhos.
Será que a Europa está realmente preparada para lidar com este tipo de situações?

Depois de tudo isto, como inconscientes que somos, fomos dar uma voltinha em Oxford street, no meio de uma multidão consumista.



Saturday, 8 November 2014

AVENTURAS NO SUPERMERCADO

Depois de termos tratado das formalidades do quarto, chegou a hora que a Angelina mais ansiava... comprar comida!

Pois bem, nesta zona temos várias opções: Morrisons, Aldi, Iceland, Tesco, lojas de esquina, chicken piri piri, etc, etc. Primeira fase: inspeccionar cada um dos supermercados para ver que produtos têm e respectivos preços. A parte engraçada é que todos dizem que são os mais baratos (tal como em Portugal). Depois de anos a fazer compras em Continentes, Pingo Doce, Minipreço, etc.. é um pouco complicado perceber a lógica destes supermercados. Conseguimos encontrar amaciador para a roupa mesmo ao lado da comida para bebé, o que acaba por ter alguma lógica pois os bebés comem, cospem-se todos e depois toca a lavar as babetes... :D

Depois há uma panóplia incrível de refeições pré-cozinhadas (até para veggies!). Acho que se confirma o mito que os ingleses não cozinham. O Jamie Oliver tinha razão!

Isto para não falar do tamanho descomunal dos pacotes de batatas fritas (aqui denominadas "Crisps") com vinagre e outras mistelas...

Como podem ver, os pacotes têm quase metade da altura da Angelina (ou seja, cerca de 50cm :-))

Esta iguaria local deve ser a base alimentar de muita gente por aqui, dado que se vê pessoas a comer crisps por todo o lado e a qualquer hora do dia. Isso é evidente quando se está na caixa do supermercado e a pessoa à nossa frente leva 5 destes sacos e a que está atrás pelo menos uns 8.

Para já a missão mais difícil tem sido encontrar azeite decente. Aqui são quase todos misturados com óleo e nenhum diz qual é a acidez. Esta malta não percebe nada da bela cozinha mediterrânica. Devem temperar saladas com manteiga ou então com banha de porco. Ahh, esperem lá, eles não comem salada, só crisps, hmm então esqueçam lá o que disse.
Outro problema é o sal, aqui só vendem sal refinado. Ainda não conseguimos encontrar sal grosso. Quando formos a Portugal acho que vamos trazer uma mala cheia de sal e azeite (entre outras coisas que ainda não percebemos que nos fazem falta).

Uma coisa engraçada é que aqui podemos comprar fruta e legumes à unidade, ou seja, sem ter de pesar. Por exemplo: uma maçã custa 0,5£ e têm todas mais ou menos o mesmo tamanho para que ninguém se sinta roubado.

Para já, como não conhecemos os produtos e a sua localização, demoramos cerca de uma hora para comprar 1 pacote de massa e alguns legumes. Se calhar daqui a uns mês conseguimos baixar isto para 45 minutos e em seis meses seremos uns profissionais e demoraremos apenas 10 minutos.






BREAKFAST AT LILAC PLACE

Vamos então ao resto da história sobre a casa.

Depois de uma inspeção geral em West Drayton, chegamos à conclusão de que poderia ser uma boa opção. Bom ambiente, proximidade ao emprego do Marcos e tal e tal. Fomos então ver a casa, situada em Lilac Place.
Quem nos abriu a porta foi a Laura, italiana. Com um caloroso sorriso, lá nos levou a conhecer as várias divisões. Uma cozinha grande, bem equipada, com montes de espaço para as nossa comida (e não esquecer que eu como muito!!!). Duas casas de banho, 4 quartos (um dos quais seria o nosso, com montes de armários e até uma secretária para trabalhar). Ah, e não esquecer o jardim nas traseiras. Se algum dia não chover, poderemos pensar em fazer churrascos.

Depois conhecemos os outros "mates": o Deniz (turco, dono da casa e namorado da Laura), o Marius (romeno, muito sorridente e falador; gosta de portugueses) e a Nathalia (húngara, mais calada, mas também simpática). Gostamos das pessoas e do ambiente. Eles gostaram de nós e disseram que se quiséssemos, o quarto que era nosso. Ficamos de lhes dar uma resposta no dia seguinte.

Mal chegamos à rua, olhamos um para o outro e percebemos que ambos tínhamos gostado da casa e das pessoas. Decidimos voltar para trás e dizer-lhes que ficávamos com o quarto. E assim nos mudamos para o nº 8 do Lilac Place.

No dia seguinte começamos a mudar as nossas coisas e já estamos devidamente instalados e quentinhos. Apesar do frio que faz na rua, as casas são bem aquecidas. Ainda não tiramos foto da casa, mas em breve já colocamos aqui fotos.

Para o nosso primeiro pequeno-almoço cá em casa decidimos experimentar um produto tipicamente britânico: Marmite. Pedro e Joana vocês já conhecem e odeiam! Para quem não conhece, Marmite é uma pasta usada para barrar no pão, feita a partir de levedura (é uma pasta fermentada de cor castanha, muito espessa e aspeto deveras estranho...). Devo dizer que a nossa primeira dentada não foi muito positiva. Sabor muito intenso, salgado, amargo. Decidimos juntar queijo e até funcionou! A inovação portuguesa: Marmite com queijo! Agora já andamos a comer Marmite todos os dias. Afinal, é rica em vitamina B e apta para vegetarianos.




Friday, 7 November 2014

O PRIMEIRO DIA E UM CAFÉ EM WEST DRAYTON

E aqui começa a nossa aventura. 
Na verdade, a aventura começou mesmo na véspera da nossa partida, quando recebemos um e-mail da pessoa que nos ia alugar quarto, a informar que, por motivos legais e coisa e tal e blá blá blá, já não seria possível concretizar o aluguer... Bem, eram 20h30. Faltavam poucas horas para a nossa partida e corríamos o risco de não ter onde ficar nos primeiros dias. Claro que tínhamos mais algumas opções, mas não tão bem exploradas. Foi assim que embarcamos no avião, sem certeza de nada, em busca do nosso sonho londrino.
Ao pisar solo britânico, fomos logo arranjar um cartão de telemóvel, elemento essencial para a sobrevivência de quem precisa urgentemente de encontrar uma casa. Fizemos alguns contactos e marcamos algumas visitas para essa mesma tarde e para a manhã seguinte. E, logo de seguida, instalamos-nos no nosso "luxuoso" hotel em Hayes. O quarto era tão grande que as nossas malas ocupavam o espaço todo. 

Não posso esquecer de mencionar que fomos almoçar ao MacDonalds, onde eu tive a oportunidade comer uma Spicy Veggie Sandwich (sim, por aqui há comida vegetariana até no MacDonals).

No final da tarde, fomos a West Drayton, visitar a primeira casa. Era a nossa preferida, pois situa-se numa zona calma. Decidimos ir mais cedo, para conhecer as redondezas. Encontramos uma zona residencial, repleta de moradias tipicamente britânicas, com ruas amplas e ambiente familiar. Na rua principal, encontramos todo o tipo de lojas, serviços, supermercados, restaurantes (muitos chicken piripiri há por aqui... ). E, claro, como não podia deixar de ser, encontramos logo um rasto português. Vimos uma montra com uma bandeira portuguesa. Olhamos melhor, sim era mesmo uma bandeira portuguesa. Era um café: Candy's Café. Atravessamos a rua, entramos e dissemos "Boa tarde" (sim, em português). E sim, responderam-nos com um sorriso e um "Boa tarde", em português de Lisboa. E, lá conversamos um pouco sobre a vida em Londres, enquanto bebíamos o nosso café Delta. 
Long story short, para além de um café português, encontramos casa no primeiro dia. Mas contamos melhor a história num próximo post. Não percam o próximo episódio, porque nós também não!