Monday, 10 November 2014

É AQUI O CONSULADO DE PORTUGAL?

Uma das coisas que os portugueses residentes no estrangeiro devem fazer é inscrever-se no respectivo consulado ou embaixada. Em Londres existe um consulado, perto de Oxford Circus, numa zona bem chique da cidade e onde se encontram a maioria dos consulados/embaixadas. Como cidadãos cumpridores dirigimo-nos então a esse consulado, local onde podemos entrar e saudar as pessoas com um "Olá" sem que olhem de lado para nós.
Após termos informado a recepcionista do motivo pelo qual nos tínhamos dirigido a tão nobre edifício, esta encaminhou-nos para a sala de espera. Foi neste momento, que começamos a questionar se estaríamos de facto no sitio certo. Na sala de espera estavam cerca de 15 pessoas, das quais 5 seriam de terras lusitanas e os restantes não falavam português, tendo provavelmente nascido no extremo Oriente. Sempre que o funcionário chamava alguém para atendimento, a língua que se ouvia não era o Português mas sim o Inglês. Após longos minutos de espera lá fomos atendidos e conseguimos esclarecer as nossas dúvidas. Como não poderia deixar de ser, vamos ter de esperar cerca de 4 a 6 semanas até conseguirmos uma vaga para sermos devidamente atendidos e procedermos à inscrição consular (que nos permitirá votar nas eleições legislativas).

De seguida, tentamos encontrar a representação em Londres do nosso banco português. Como já eram 16h estávamos com algumas dúvidas se estaria ou não aberto. Felizmente, estava aberto até às 18h. Fomos atendidos por um funcionário muito simpático que nos esclareceu todas as questões acerca de levantamentos, pagamentos e transferências internacionais. O problema, neste caso, é a conversão entre Euros e Libras. Alguns bancos cobram taxas exorbitantes pela conversão de moeda, por exemplo, até 10 cêntimos de Euro por cada Libra. Para além disso existem agora serviços que facilitam a transferência de dinheiro para Portugal, sem que sejam cobradas taxas pelos bancos ingleses.

Por coincidência, enquanto estávamos a trocar impressões acerca da vida em Londres, surgiu o tópico do consulado. Sem nenhuma menção de nossa parte, o funcionário do banco diz: "Quando fui lá inscrever-me pensei que me tinha enganado no consulado. Não estava lá ninguém que me parecesse ser português."

Qual a explicação para este facto? Simples. Aparentemente, pessoas nascidas em Goa (ou outras ex-colónias portuguesas, mas é mais comum em Goa) com ascendentes portugueses até à terceira geração (quase do tempo do Vasco da Gama), têm direito a nacionalidade Portuguesa. Ora isto está a criar um problema às autoridades inglesas, uma vez que pessoas que nunca tenham residido em Portugal (e que à partida não podem ser considerados cidadãos europeus) e não falem português podem beneficiar de livre circulação na União Europeia e têm direito a trabalhar e residir no Reino Unido e ainda usufruir de todo o sistema de apoio social. Esta situação só ficou aparente aquando da entrevista para a obtenção de um "National Insurance Number" (equivalente aos nossos números de contribuinte e segurança social) em que se alertava os funcionários para questionarem Portugueses com origem Goesa acerca dos seus conhecimentos sobre Portugal e se já tinham residido no País. O titulo do memorando interno era "Potential identity fraud".

Estas situações levam-nos a refletir acerca das questões da emigração e até onde as pessoas estão dispostas a ir para conseguirem um futuro melhor para si e para os seus filhos.
Será que a Europa está realmente preparada para lidar com este tipo de situações?

Depois de tudo isto, como inconscientes que somos, fomos dar uma voltinha em Oxford street, no meio de uma multidão consumista.



1 comment:

  1. Os Goeses, se não conseguirem mais nada, podem sempre pedir um "Visto Gold"...

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